20 Julho, 2008

Pannacotta com papaia e molho de lima

Quando a expectativa é muita, arriscamo-nos a sair desapontados. Foi o que aconteceu com esta receita que, apesar de ficar com uma bonita apresentação não me apaixonou. No entanto, confesso que talvez tenha arriscado demais nas pequenas modificações que fiz e que possam ter sido as responsáveis por tamanha desilusão. Não digo que ficou mauzinho de todo mas, não é uma sobremesa que me deixe com vontade de repetir em breve. Pode também ser uma questão de paladar e por isso aqui deixo a sugestão para os apaixonados de especiarias!
A receita original pode encontrar-se na Blue Cooking de Junho/2008. Por considerar que pode ter potencial, irei repetir um dia, seguindo fielmente o original.

Ingredientes para 4-6 pessoas:
¾ chávena de mel (usei ½ mas ficou pouco doce)
1 pau de canela comprido (usei ½ colher chá de canela em pó)
1 vagem de baunilha cortada em comprimento (usei ½ colher de chá de essência de baunilha)
6 sementes de cardomomo esmagadas
2 estrelas de anis
6 cravinhos
¼ chávena de água
600ml de leite coalhado com 1 colher de sopa de limão
¼ cháv. de água quente
1 colher sopa de gelatina em pó (usei 1 colher de sopa mal cheia de agar-agar)
1 lima
2 colheres sopa de açúcar fino
400g de papaia descascada sem sementes em fatias finas

Numa panela colocar o mel, e as especiarias levando a lume médio. Deixar ferver por cerca de 3 minutos ou até começar a ficar dourado. Retirar do lume e adicionar a água, deixando arrefecer.
Colocar o leite coalhado nume panela, em lume médio baixo e mexer por 2 minutos até aquecer. Colocar a água quente num recipiente e polvilhar com a gelatina, misturando até dissolver por completo.
Coar a mistura de mel por um coador e misturar com o leite coalhado. Adicionar a gelatina e voltar a misturar. (No original não mencionam que se deva levar novamente ao lume mas eu senti essas necessidade devido ao facto de ter usado agar-agar. Levei ao lume cerca de 5 minutos).
Colocar em ramequins (O original refere 6 mas eu consegui 5), tapar e levar ao frigorífico por 4 horas ou até solidificar.
Misturar a raspa e sumo da lima e misturar com o açúcar. Levar a lume médio, mexendo por 3 minutos (Achei 3 minutos demasiado porque o molho ficou em caramelo, ao contrário do original), até o açúcar dissolver e ficar espesso. Retirar do lume e deixar arrefecer.
Colocar a papaia cortada a gosto numa tigela, e adicionar o molho de lima. Virar as pannacottas para os pratos de servir e regar com o molho de lima e papaia.

19 Julho, 2008

Massada de frango do campo com alecrim e tomate cereja

Um dos jantares que fiz em Portugal foi bastante elogiado. Não foi nenhum prato especial mas, admito que o toque de uma das ervas aromáticas que usei deva ter dado o tal sabor apreciado. Assei no forno um entrecosto com alecrim mas, não referi esse pormenor aos convidados pois sei que podia ser mal recebido O sobrinho curioso perguntou-me o que era aquela “coisa verde” que foi parar ao prato dele. Respondi que era uma “ervinha”. Parece alecrim - respondeu-me ele. Fui logo apanhada! Tão espertinho, o garoto! Acabei por confessar que era mesmo alecrim e respirei de alívio por não terem feito cara estranha. É que para além da salsa e dos oregãos, não tenho muita sorte...
O alecrim, foi mais tarde usado com um frango do campo numa massa bem aromática.

Ingredientes para 2-3 pessoas:
½ frango do campo
1 cebola média
2 dentes de alho
1 pedaço de bacon
2-3 tomates pelados (usei de lata)
1 ½ chávena de tomates cereja
1 raminho pequeno de alecrim (reservar algum para decorar no final)
1 colher sopa de massa de pimentão
1 copo de vinho branco
1 fio de azeite
Sal q.b.
Massa tricolor a gosto q.b.

Partir o frango aos pedaços e temperar com a massa de pimentão, o vinho branco, o alho picado e o alecrim. Deixar repousar por algum tempo. Num tacho largo colocar o azeite e a cebola picadinha. Deixar aquecer a cebola e acrescentar os pedaços do frango e o bacon, juntamente com o alecrim da marinada. Deixar alourar de todos os lados até perder a cor de cru. Acrescentar o vinho branco e o tomate pelado picado e deixar cozinhar até o frango ficar tenro (30-40 minutos). Adicionar água durante a cozedura, caso seja necessário. Quando a carne estiver cozinhada, acrescentar água suficiente para cozinhar a massa. Após levantar fervura adicionar a massa e os tomate cereja inteiros e deixar cozinhar até a massa ficar al dente e sem deixar desfazer os tomates cereja, demasiado.
Decorar com alecrim e servir de imediato!

18 Julho, 2008

Hello New York!

Férias são sinónimo de descanso. Confesso que as minhas são sempre sinónimo de muita atribulação. Em 15 dias, 3 continentes. Partida de Luanda com destino ao Porto. Partida para Nova Iorque, uns dias depois. Uma agradável viagem apesar de, não me ter encantado como esperava. Talvez as expecatativas fossem altas demais.

Muitos prédios. Muitas caras, na sua maioria hispânicos. Muita confusão. Mais trânsito do que eu esperava (eu e o meu trauma). Muitos cheiros, dominando o cheiro a hot dog em qualquer esquina. Muitas cores. Ainda mais prédios. Altos. Muito altos.

Cookies gigantes, muffins de todos os sabores e brownies de comer às dentadinhas pequeninas e esperar que não acabem nunca, fizeram-me muito feliz. Confesso que não provei os cookies porque achei que era mais do tipo “comer com os olhos”. Tentei sossegar os meus olhinhos infantis e dedicar-me ao que realmente gosto: muffins e brownies. Comi o melhor brownie da minha vida na Starbucks do Barnes & Noble da 5th Avenue. Fui provando muffins de vários sabores e fiquei maravilhada com o seu tamanho XL, bem ao estilo americano. Perdi-me de amores por um cheesecake ao estilo NY que provei na cafetaria do Museu de História Natural e ficou prometido reproduzi-lo em casa.

Passeio pela Chinatown. Curioso como certas comunidades conseguem criar “pequenos países” num só. A influència já é antiga é certo, e muitos já serão nascidos nos EUA. Contudo não pude deixar de admirar as ruas, lojinhas e até mesmo alguns edifícios, bem ao estilo asiático. Pelas ruas, o mandarim e as expressões asiáticas dominam. Os ingredientes exóticos, também.

As livrarias fizeram parte do roteiro da viagem e, os preços baratos fizeram-me perder a cabeça. Livros de culinária e arquitectura, fizeram parte das preferências. Os outros tentaram-me, sobretudo pelos preços simpáticos mas, confesso que não faço parte do grupo de pessoas que considera que ler em inglês dá status e é melhor. Ler o último livro de Dan Brown, ainda não disponível em Portugal, totalmente em inglês tentou-me, mas era capaz de me dar a volta à cabeça, não? E às vezes ela dá-me jeito para a utilizar em outras leituras.

Os mercados de rua não são o forte de NY, ao contrário dos maravilhosos e característicos de Londres mas, um mercado que visitei no último dia, encantou-me particularmente. “The Food Emporium” em Manhattan fica debaixo da ponte em 59th Street e no seu interior encontramos produtos de qualidade, alguns orgânicos, produzidos nas proximidades e muito bem organizados. A arquitectura da loja está muito bem enquadrada no estilo “Bridge Market”.

A nível gastronómico não foi uma viagem muito rica, como aliás já esperava. Já referi os doces que provei mas, os pratos que NY tem à disposição tanto têm de variado (quantitivamente) como de básico e pouco elaborado. Provei o famoso Steak acompanhado de legumes e puré de batata, bem ao estilo americano, mas que deixou a desejar pela falta de sabor da carne.
Pizza e hamburgures também fizeram parte do roteiro. Quem me conhece sabe que eu não como hamburgueres. Não gosto do cheiro quando passo à porta do MacDonalds e portanto não me tento a entrar e comer. “Não tiveste infância" – já ouvi de alguns devoradores desta iguaria (?), devido a esta minha falta de gulodice por hamburgueres mas, fazer o quê? Sempre fui mais inclinada para outro tipo de fast food como sanduiches ou pizzas. Mas eis que a minha opinião sobre os hamburgures mudou (quase) quando entrei num Burguer King e pedi um para o almoço. Perdi a cabeça, é certo. Suculento e grelhado no carvão, foi o melhor hamburguer que comi até hoje. Ok, não que tenha vasta experiência na prova dos mesmo mas, esta minha opinião foi partilhada pelo M. que é rapaz para, de vez em quando, visitar o McDonalds. O façanha foi repetida mais tarde no MacDonalds mas, a opinião já não foi a mesma por isso, continuarei a minha caminhada anti-hamburgueres. A cozinha asiática foi visitada na versão Tailandesa e pude comprovar que quando o menu refere “picante” significa REALMENTE PICANTE. E eu a pensar que era fortalhaça com o gindungo. ah ah ah

O passeio pelo Central Park não podia faltar. O uníco sítio que me fez dizer “acho que podia ser feliz aqui”. Lindo!

Já de volta a Luanda, a programação do MCG segue dentro de momentos!

26 Junho, 2008

A minha 2ª casa!

Já era conhecido o meu gosto por escrever sobre país onde vivo. Comecei tímida, sem pretensões em escrever textos maravilhosos ou cheios de adereços. As introduções foram crescendo e eu sei que agradam a alguns dos visitantes. Por isso continuo a escrever. Tentei quase sempre relacionar os textos com o tema do blog. Quase sempre. Eu sei que as experiências que aqui vivo me aproximam de outras pessoas que aqui vivem, já viveram, ou sonham um dia viver. Então, eu continuo a dar a minha pitadinha sobre Angola. Mas, eis que surge o convite em partilhar uma casa. Uma casa que também começou tímida e ficou mais atrevida, ao longo do tempo. Por vezes polémica até. Porque nem sempre as críticas são bem recebidas. Sempre gostei daquela casa porque vi nos seus moradores a garota que chegou a Angola à um ano e meio e via as coisas más deste país. Coisas que eu nunca referi por aqui. Ao fim de 15 dias, uma pessoa com muitos anos de África disse-me que eu iria arranjar uns óculos cor-de-rosa. E ao fim de algum tempo, encontrei esses óculos. Comecei a trabalhar e a conviver com muitos angolanos. A conhecer a realidade, as alegrias, as dificuldades, as manhas. A ver a alegria que eles têm, apesar de todas as dificuldades da vida. Alegria essa que, sem os óculos cor-de-rosa, eu achava não ser possível existir. De vez em quando ainda me esqueço dos óculos cor-de-rosa em casa. Mas na maioria das vezes, aprendi a usá-los. Vou agora usar esses óculos na minha casa nova. Talvez de vez em quando me esqueça deles.

Podem encontrar-me agora na Casa de Luanda, a minha 2ª morada. Espero encontrar-vos lá!

13 Junho, 2008

Notas Soltas

MCG de férias e com data incerta para regresso (ao blog que, a Angola a data é certa, of course). As férias passarão obviamente por Portugal e por algum descanso desta blogoesfera que tanto tem de bom como de mau. Como em tudo na vida aliás. Antes de mais este “até já”, só algumas notas soltas sobre o que se passa no meu país e que, apesar de não me estar a afectar directamente, acompanho com regularidade. Refiro antes de prosseguir, que não sou exacerbadamente nacionalista mas que gosto do meu país.

1. O “portuga” adora queixar-se. Queixa-se dos preços e da falta de emprego. E eis que para meu espanto, ouço isto numa reunião de trabalho: “estamos com falta de pessoal qualificado. Eles queixam-se que as coisas estão mal por lá mas, convidamos para virem para cá (Angola) e aí já ninguém quer vir” (espanto).
2. Depois da vitória de Portugal contra a República Checa, o comentário de um português, colega de profissão, para o meu chefe (austríaco): “eh pá, as coisas com a Austria é que não vão bem”. O meu chefe, de sorriso maroto, prontamente respondeu: “não somos bons no futebol, não. Acho que somos bons em muitas áreas de conhecimentos (vulgo áreas que trabalham com o cerebrozinho, digo eu) mas, em futebol não somos bons, não”. O meu colega “futeboleiro” não merecia que lhe dissessem: toma e embrulha? Esta escusava de ter ouvido!
3. Depois de viver em Angola, tenho a certeza que a modo de ver a vida e o mundo, mudou para mim. Se em Portugal, quem não trabalha é ajudado por um período de tempo, aqui até o deficiente físico trabalha para sobreviver. Porque como me disse o Duck um dia, “aqui, quem não trabalha não come” Se em Portugal a luz e água estão caros, aqui não há. Se em Portugal o trânsito na VCI é péssimo, aqui é o inferno na terra. Se em Portugal há carjacking e outros “empréstimos” semelhantes, aqui há violência diária com angolanos que temem ir para casa à noite quando recebem o salário ou levarem uma porradita por terem um telemóvel rasca demais para ser roubado. Algumas pessoas já usam a carteira número 2 e o telemóvel número 2, "não vá o diabo tecê-las". Já para não falar nos meus amigos, vítimas de assaltos com catanas e armas de fogo. Se em Portugal os professores se queixam da instabilidade, aqui eles dão aulas no ensino público, não recebem o salário e, para equilibrar as finanças vão fazer trabalhos extra, como a D. Fátima, cozinheira de uma cantina. Querem mais “Se’s”? Acho que era moça para não parar com os “Se’s”. Bem, já para não falarmos no “C” de corrupção que, por razões óbvias, eu guardo para mim.

Eu sei que fui dura e respeito quem neste momento possa estar a passar por carências em Portugal ou noutro país mas, aconselho virem fazer um “estágio” a África (não precisa de ser Angola) e são bem capazes de se darem por felizes por terem luz, água e comidinha na mesa (mesmo que caros). Quem não tiver essa oportunidade, please, aproveitem o bom de Portugal, continuem a falar no “A” de ambição mas sem esquecer o “A” de atitude! Combinado?

Agora, vou ali comer um leitãozinho à "Flor do Ave" na Trofa, uma natinha com um café expresso decente, um bacalhau na brasa ao “Salta o Muro”, umas cerejinhas e uns moranguinhos. Vou comer o melhor fiambre do mundo da Charcutaria “Primor” mais conhecido lá na terra de V. N. de Gaia por “Porqueiro”, comer um shushi com a Bolera, vou gastar 5 euritos na máquina dos cavalhinhos do Casino da Póvoa do Varzim (a minha faceta negra aqui confessada) e comer um cachorrinho e um fino a preço simpático (oh pá, eu sei que o ambiente é mauzito mas eu e a Bolera gostamos mesmo dos cavalinhos). Vou ao cinema AMC ver um filmezeco e comer umas pipoquinhas (sempre de forma silenciosa, of course), comer o arroz de frango caseiro da Dona C., mãe do M. e, um cozidito da minha mami Dona C. (também). Vou convidar as amigas C., M. e Bolera para jantar lá em casa porque preciso de conversas de meninas (grande falha nesta terra de homens). Dar festinhas ao novo membro da família (ainda na barriga) que nascerá quando eu estiver cá, aproveitar e comer o bolinho de chocolate que a mãe do baby faz tão bem. Enfim, vou fazer tantas coisas... Umas relacionadas com o prazer de comer outras nem tanto porque os meus interesses não se resumem a isso.

And last but not the least, vou conhecer umas tantas meninas que me têm mostrado que este convívio virtual pode ser simpático, sem fofurices exageradas nem promessas de amizade eterna e verdadeira porque eu, confesso ser crua demais para acreditar nessa possibilidade virtual. Vou antes esperar um convívio saudável, com grandes possibilidades de se tornar em amizades muito especiais, com muitos interesses em comum e, antes de tudo, como diz a minha Menina de Angola, esperar alianças honestas! Enjoy!!!

Adenda @ 17.06.2008: esta reportagem resume (e muito bem), o que referi acima!

09 Junho, 2008

Frango à Stallone

Quem lê o Chucrute com Salsicha da Fer (que eu adoro), deseja certamente poder ter na sua casa, a qualidade da alimentação que ela tem. Para além de comer as carnes de bichinhos felizes, a Fer opta sempre pelos legumes frescos e sem grandes histórias no cultivo e que por isso, imagino conservarem o sabor dos produtos do “antigamente”, dos quais ouvimos muitas vezes, os mais velhos falar. Ora, eu gostava poder ter certas opcções na minha vida. Mas, no país onde me encontro, tenho de fechar os olhos, engolir em seco e comer o que me dão. Ou melhor, comer o que há para comprar. E confesso que às vezes passo mal. Antes de existir um certo supermercado que eu já referi por aqui (só faço mais publicidade directa se eles me derem um descontinho simpático e bem merecido... ahahah), eu tinha de comprar a carne nos outros supermercados. A carne era toda congelada e acredito que, na maioria das vezes, recongelada. E continua a ser porque à dias estive meia hora à porta do supermercado, impedida de entrar porque não havia energia. Mas, o que me traz a escrever hoje, é a minha experiência com o frango. Ora, quando aqui cheguei, ouvi falar muitas vezes dos "pica-na-areia" que são os frangos que fazem da rua pública da capital a capoeira, e comem areia e lixo. Nojento quanto baste. Depois, ouvi falar também no arroz de ossinhos, a fantástica especialidade que uma vez o M. comeu na cantina da empresa. Se o frango era elegante, a cozinheira ainda fez questão de guardar a pouca carne para ela e serviu o arroz com os ossinhos e o sabor a frango. Muito criativa, a senhora. Este fim-de-semana tratei de comprar um frango inteiro, no supermercado sul africano que vende a carne congelada. O outro, vende só o peito de frango fresco que, convenhamos não ser o mais adequado para um churrasquinho de fim-de-semana. Tempero bom com sal, alho, massa de pimentão e molho de gindungo e daria uma refeição muito boa não fosse o frango ser uma especialidade brasileira e com os árabes como público alvo. Descobri que aquele frango era brasileiro, habitualmente exportado para os países mulçumanos pois passava por um processo que tinha como objectivo, ser-lhe retirado o sangue. Questões religiosas, penso eu. Fica portanto uma carninha rija que, segundo os entendidos, é boa para moamba. Para churrasco não é de certeza porque o frango era um velhaco, sem sabor e durão. Depois de chegar a casa e o M. ter mostrado o seu desconsolo pelo raio do frango fiquei a imaginar o que seria dos árabes a comerem aquele frango? Aquele pessoal gosta de mastigar. Só pode! Eu até arrisco dizer que, o dono da fábrica dos frangos no Brasil também está ligado ao negócio das garrafas de gás lá pelas arábias. Compre uma garrafa de gás e leve grátis um frango delicioso sendo que, em letras pequeninas, o tempo de cozedura do bicho é bem capaz de dar conta de metade da garrafa. Bom negócio, portanto. A minha imaginação leva-me longe mas, o que é certo é que depois de episódios destes, eu fico a valorizar ainda mais, o estilo de vida da Fer e de todos os outros que se recusam a comer bichinhos com um passado triste e deprimente. O que eu sei é que, os senhores sul africanos não me apanham mais a comprar aquele frango. E o que eu sei também, é que tenho pouca hipótese cá. Ou deixo de comer carne, ou tenho de continuar a fechar os olhos, engolir em seco, e comer o que há. Não levasse eu a vida estúpida de acordar às 4.30h da manhã e chegar as casa não antes da 19.30h e, escolhia a primeira opcção. Sendo assim, vou esperar que mais nenhum frango armado em Stallone me apareça no prato. Refiro-me à parte do velhaco, sem sabor e durão, of course.

07 Junho, 2008

Salada de Mung Beans

Dos meus almoços com os colegas filipinos guardo algumas especialidades do país deles. Já falei no Adobo e hoje falo dos Mung Beans. Era comum vê-los a comer este tipo de feijão com carne em cubinhos e pasta de camarão bebé. Nunca provei porque, aquela história de comer pasta de camarão bebé, com cheiro a comida de tartaruga e peixe de aquário não me agradava. Eu não tenho carapaça, certo? Por isso, nunca provei. Mas, apesar disso, sempre tive curiosidade de experimentar estes feijõezinhos verdes. Em Luanda existem vários sítios onde se encontram produtos asiáticos. Os asiáticos também andam por cá e por isso, é relativamente fácil encontrar Mung Beans. A minha salvadora para a preparação dos feijões foi a J., a minha ex-colega de casa. Perguntei-lhe se estes feijões também se colocavam de molho em água como os que eu conheço. Não - disse a J. - caso contrário transformam-se em rebentos. Ok chefe! Segui todas as indicações da J. para a cozedura dos feijõezinhos e até achei estranho o facto de ela referir que estes feijõezinhos absorvem muita água e que, portanto, não é muito comum serem cozinhados em sopas. Ora, os outros feijões que conheço também absorvem água na cozedura por isso, achei este item pouco importante na confecção. Ah, como eu me enganei. Oh yeah! A primeira rodada de feijõezinhos verdes cozeu demais e em minutos transformaram-se numa papa pouco apetecível. Não desisti e voltei à carga com mais uma rodada e deixei-os cozer cerca de 45 minutos sendo que, os últimos 15 minutos foram de vigília à volta do fogão. Correu bem. Ficaram cocrantes e bem amorosos para uma saladinha. Optei por juntar ingredientes simples para sentir o sabor destes feijõezinhos verdes. Está assim aberta a época dos Mung Beans! Ficará prometido a confecção de um prato próximo da feijoada filipina, como diria a J., mas sem a presença da pasta de camarões bebés, ok?


Ingredientes para 1 pessoa:
1 chávena de feijões Mung previamente cozidos e temperados de sal
1 lata de atum
¼ de pepino
1 colher sopa de cebola picada finamente
Azeite, Vinagre e Pimenta preta q.b.

Numa taça misturar os feijões Mung, o atum escorrido e desfeito em pedaço, o pepino cortado em pedacinhos e a cebola picada. Temperar com azeite, vinagre e pimenta preta a gosto. Não colocar sal pois o atum e o feijão Mung já estão temperados com sal suficiente.
Servir com uma “biricoca” fresquinha.

01 Junho, 2008

Menino Pequeno

O menino grande ajuda-nos a comprar peixe aos pescadores. Ele procura pelo que nós pedimos, trata o M. como “o meu pula” e no final leva um presente monetário, como ele gosta. Na primeira vez que o conhecemos acompanhava-o o menino pequeno. Dizia ele que o menino pequeno falava uma língua estranha. Parecido com o chinês, dizia ele. E imitou-o com uma lengalenga que ele considera ser próximo do chinês. O mais pequeno não falou. Olhava-nos. Sorria tímido mas, não falou. Fiquei com a sensação que o mais pequeno era mudo. Talvez também não ouvisse o que dizíamos. Não sei. Mas lembro que fiquei com um nó na garganta. Acho que o menino mais velho e os outros meninos, desconhecem a razão do menino pequeno “ falar chinês”.



A todos os meninos de Angola e do Mundo, desejo uma vida melhor. Um Mundo melhor. Há muitos meninos de Angola, que deviam ter uma vida melhor. O menino pequeno é um deles.

27 Maio, 2008

Pão e Cerveja

Quem vai seguindo o MCG lembra-se concerteza do meu “grito” de ajuda para que os angolanos ou os que, em alguma parte da sua vida, aqui viveram, ajudassem o Jean, um simpático brasileiro que estuda panificação e desenvolvia um trabalho sobre o pão angolano. Ora, toda esta troca de impressões sobre Angola, comidas, bebidas e pães foi a motivação para que o Jean, juntamente com o Rapha Tonera, criasse um blog para falar sobre pão e cerveja. Belos temas, não? O Jean publica os artigos sobre pão e o Rapha sobre cerveja. No final do seu trabalho e sempre muito amável, o Jean enviou-me o resultado final que eu considero ter ficado muitíssimo interessante. Para além de ter falado sobre o tema – pão – não esqueceu uma breve descrição e contextualização do país. Agora, para quem quiser saber um pouco mais sobre pão angolano pode ter a oportunidade, se espreitar o blog Pão e Cerveja. O Jean é muito gentil nas palavras. Ah, e não esqueçam que o trabalho foi desenvolvido por alguém que não conhece o país e baseado em muitos comentários e conversas com angolanos e comigo que, como portuguesa, tentei contribuir com o pouco que sabia. Por isso, qualquer angolano que tenha algum apontamento a fazer, não esquecer a máxima: criticar com gentileza e educação. Este é um conselho às (poucas) alminhas revoltadas made in Angola!

Bolo Cítrico com Cranberries

Um dos meus hobbies é passear por alguns blogues amigos e outros que, de blogroll em blogroll vou descobrindo e por alguma razão me prendem. Um que me fascina é o Tartelette pois, para além de ter magníficas receitas, tem fotos lindíssimas! Eu queria ter aquele talento. Oh se queria! Uma das muitas receitas de lá, que queria fazer eram os muffins de laranja e cranberries. E, Angola é um país engraçado. Às vezes vejo-me a nora para encontrar ovos ou outro qualquer produto essencial. Mas dry cranberries existem, vindas da África do Sul, no supermercado com a mesma origem. E aposto que deve ser um produto bastante procurado neste país. Ahahah Mas, já que o país me dá dry cranberries, eu aproveito e transformo os muffins em bolo e a laranja em citrinos. Isto porque Angola também não é país de laranjas e, o preço dos limões não me deixa transformar a receita em bolo de limão e cranberries. Conclusão: utilizei o sumo de 2 limões e a restante quantidade, foi com sumo de laranja embalado. Deixo a receita original, que eu dupliquei para ficar com um bolo de tamanho decente mas, tenho a dizer que a quantidade de açúcar é bastante reduzida. E eu nem gosto de bolos e sobremesas doces! Por isso, da próxima vez utilizarei o dobro da quantidade de açúcar. Contudo, no final, o resultado foi bastante positivo e o bolo apesar de pouco doce, ficou aprovado.


Ingredientes:

1 ½ copo de farinha (x2)
3 colher chá de fermento (x2)
¼ colher chá de sal (x2)
¼ copo de açúcar (x2 mas deveria ser x3 ou x4)
¼ copo de manteiga amolecida (x2)
1 ovo batido (x2)
1 copo de sumo de laranja (x2 sumo de laranja e limão)
1 colher sopa de raspa de laranja (raspa de 1 limão)
1 copo de cranberries secas

Pré-aquecer o forno a 180º C e untar uma forma de bolo inglês com manteiga e farinha. Reservar. Bater a manteiga com o açúcar até ficar uma mistura clara. Acrescentar os ovos e bater entre cada adição. Adicionar o sumo de limão e laranja e a raspa de limão. Adicionar a farinha previamente peneirada com o fermento e o sal e envolver delicadamente. Misturar as cranberries e levar ao forno por 45 minutos.



Nota: Envolvi as cranberries em farinha antes de as colocar no bolo pois, segundo li algures é um “truque” para evitar que se depositem no fundo do bolo. Contudo, este “truque” nem sempre funciona comigo e, na maioria das vezes o fundo do bolo fica com uma maior concentração de frutos.