A viagem começou às 7h da manhã, sem horário previsto para regresso. Isto porque o desconhecimento relativamente às condições da estrada rondava os 100%. Viagem a N'Zeto, a cerca de 250kms de Luanda, por razões profissionais. Viagem tranquila e suficiente para me deixar com uma enorme dor no pescoço e nas costas mas também para me deixar os olhos cheios de verde e com uma aventura para mais tarde recordar. Pude tirar duas conclusões: Angola é um país lindo e tem muito mais do que lixo e trânsito (facto que eu já sabia, of course); e definitivamente não tenho jeitinho nenhum para Dakar's e afins. Quer dizer, a segunda, é pura ilusão. Que passem as dores no pescoço e nas costas que eu estou pronta para outra! Oh yeah!
O verde da paisagem acompanhou-nos por toda a viagem. Conseguimos ver um macaco e algumas aves que, infelizmente, se mostraram pouco disponíveis para fotografias. Foi também no caminho que paramos numa povoção para perguntar o nome de um rio, ao lado, para nos orientarmos no mapa. Sim. Porque placas de indicação e áreas de serviço são ficção, por estas bandas! O motorista que nos acompanhava fez a pergunta e o homem, muito disponível respondeu "Loge". Eu ia no banco de trás, com o mapa (porque os homens, regra geral não precisam de mapa, nascem já com um interior; contudo, de quando em vez, algo se baralha no sistema e precisam que a mulher se localize no mapa, em formato de papel) e depois da resposta do homem, disse meia dúzia de palavras para o motorista. O senhor, ao ver a beldade nórdica (ahahah) e não percebendo nadica de nada do que eu disse, pensou que eu falava outra língua com o motorista e perguntou-lhe: Quê? É para o nacional geográfico? E riu-se, na esperança que respondessemos que sim e que algures, atrás da vegetação, aparecessem uma câmaras de filmar camufladas!
Na passagem por Ambriz, o registo desta beleza natural. Rocha enorme que parecia ter sido cuidadosamente colocada. no topo, por um qualquer gigante local.
N'Zeto situa-se na zona costeira e nesta imagem, o rio encontra-se com o mar, numa paisagem exótica e exuberante.
A cidade tinha poucos habitantes, não tinha luz e os edifícios, regra geral, estavam muito degradados. A população sentava-se nas portas de casa, à espera. À espera que o tempo passasse e chegasse o dia seguinte. Desconhecendo certamente o que se passa em Luanda e da explosão de prédios altos que nascem na capital. Esperavam que algo de diferente se passasse, para que pudessem ter assunto de conversa. Esperavam por nós e por qualquer outro estrangeiro que parasse e perguntasse algo. Esperavam. Simplesmente esperavam.
Ora, eu gostava de poder mostrar um roteiro gastronómico, nas minhas visitas por Angola, para não fugir ao tema do MCG. Contudo, as únicas especialidades que consigo encontrar são os doces. Os doces à moda de Angola... Porque restaurantes não existem.. E porque Angola é sinónimo de crianças fofas, aqui ficam uns meninos de N'Zeto que como sempre, têm muita folia no início mas quando a máquina espreita, ficam tímidos e desconfiados.
A cidade não tinha energia mas o posto de abastecimento era bem eficiente. À minha pergunta sobre a escola, contaram-me que começaria amanhã. Saberão eles o que é amanhã? Fiquei com a sensação de que se lá voltasse para a semana, a escola começaria também amanhã. A escola é o edifício amarelo, ao fundo. Bem bonitinho, por sinal.
Não faltava a Igreja que, diga-se de passagem, estava bem cuidada, ao contrário da maioria das casas e restantes edifícios.
No final: engoli e seco e preparei-me (ou não) para mais 262kms, 6 horas de viagem e muitos saltos e saltinhos. Ai, ai...





27 comentários:
Que viagem linda, Miguinhas! Que terra mais encantadora...
Obrigada por compartilhar o passeio connosco. :-)
Beijinhos.
Adoro os teus relatos de viagem, mas isso não é novidade! Foge ao tema do MCG que ninguém se importa e conta tudo, que os curiosos de cá agradecem imensamente.
Bj enorme para a beldade nórdica! :p
Ahhhhh morri de inveja!!! Eu também quero ir... Que delicia de cidadezinha, tranquila e linda!!!!
Não vejo a hora de conhecer mais desse país lindo!
bj
E num local distante, pouco desenvolvido, o rapaz foi capaz de um lindo elogio!!! Isso é reconfortante!
Beijinhos,
UAU! Que aventura!
Esta reportagem foi mesmo digna de "Nacional geográfico" Hehe...
paisagens e crianças lindas, e um posto de abastecimento muito evoluido nós aqui temos de nos deslocar a um, e aí as coisas são bem mais à frente, é o posto que vai ao carro!
Beijoca
Ahahah... oh Laurinha, não foi o angolano que me chamou "beldade nórdica". Fui eu mesmo que me chamei a mim própria. E a brincar, como sempre. Regra geral, eles são tímidos e por vezes até têm vergonha de olhar nos olhos. Tirando os safados, que esses existem em todo o lado.
Menina de Angola, a trabalhar como trabalhamos (aos sábados inclusivé) como é que podemos passear? E eu tive sempre o azar em trabalhar em empresas que não sabem o que são pontes e afins. Só mesmo em trabalho é que posso ir um pouco mais longe. Quanto à cidadezinha, girinha sim senhora, mas eu não conseguiria viver lá. Sem luz, vamos fazer como então? E eu imagino a dificuldade em chegar lá certos alimentos...
Beijos a todas!
É muito normal Marizé, mesmo em Luanda, haver pessoas a vender combustível na rua. As filas nos postos são gigantes e, para quem não tem paciência para esperar, desenrasca assim mesmo. A cidade tinha um posto de abastecimento, desactivado porque não havia energia, claro! De referir que o preço da gasolina era 60% mais cara do que em Luanda!
Espero que essas dores nas costas e pescoço passem depressa.E ainda bem que apesar dos solavancos, ainda conseguiste apreciar a viagem. Angola deve ser um país lindíssimo mesmo. Bjinhos Migas.
Angola, apesar dos pesares é um país lindo. As dificuldades são imensas a todos os níveis, mas o povo é maravilhoso.Foi pena não comeres umas ostras no Ambriz, postas no fogo, a estalar, com limão e jindungu, choras por mais.Parabéns pela reportagem.
Fernando, e só agora é que avisa??? Tenho de começar a informá-lo do meu roteiro para que me dê umas dicas! ahahah
Pena é que, em viagem com o meu boss, esses petiscos não se misturam com trabalho. Os portugueses são bem diferentes de outros europeus ou até mesmo dos sul africanos. Eles, comem uma sandocha ao almoço e está feito. Nós não. Nós gostamos de um pratinho quente, de comer com talheres e preferencialmente, sentadinhos e bem acomodados. Infelizmente, tenho de me habituar a estes tristes costumes... Vamos ver se produzo mais, como eles, a passar fajeca. :o)
Mónica, já estou nova! :o)
Beijos
Migas, grande texto e eu sempre achei que Angola seria muito bonita !
Agora, 43,6 km/hora é velocidade de turismo mesmo !
Que lugar encantador, uma paisagem tão bela....
Lindo...
Bjs
A minha querida Miguinhas anda metida em lindas e grandes aventuras...
Beijinho daqui até aí.
Ahahah... Realmente parece turismo, não é Eduardo? Turismo deste, aceito fazer outra vez mas para outra província, please!! Dureeezaaa... :o)
Beijinhos a todos!
Mas que grande viagem Migas, obrigada por mostrares =)
bjs, bom fim de semana!
Como sempre adoro os teus posts.
6 horas de viagem sem estação de serviço?
Eu morria... Não sei como conseguiste.
Bom fim de semana
Pior Ameixinha! Eu cofesso que foram 12 horas sem ir à casinha. Sim, porque "casinhas" há muitas mas, são daquelas exóticas, ao ar livre. Ahahah Não que isso me fizesse confusão, em caso de extrema necessidade mas, não bebi durante toda a viagem e por isso, consegui livrar-me. Isto não é fácil, não. E em Luanda, o cenário não é diferente. Eu diria que é até pior porque a paisagem é substituída por carros e musseques. O truque é não beber líquidos depois da 16h. Ahahah O ser humano é demais...
Em Angola, ir fazer necessidades ao ar livre, diz-se, vou no mato, não tem papel, limpa com capim.Mas isto, é no interior, pois em Luanda, nem pensar!Ó migas, o pior são os solavancos do carro a passar pelos buracos da estrada, dá para sofrer.
Migas, eu bato-te palmas de pé. Eu no máximo aguento 3/4 horas sem ir à casinha. Beba ou não beba alguma coisa. O problema é que nunca sabemos o que vai surgir do meio do mato :-)
Migas, um portugues no aviao me disse--os paises mais ricos e bonitos do mundo: Brasil e Angola. ele estava certo! um beijo,
Belo passeio migas, dá para arejar a cabeça né, quando vamos para o "mato", o pior é quando começas a pensar que tens que voltar para a Selva Urbana que é Luanda.
É sempre bom recordar. A última vez que estive por aí foi em 2005.
Beijinho
A canção do bandido está na forja.
Beijinho à cozinheira e à engenheira
Migas, o que eu não daria por ter ter acompanhado nessa viagem!É zona perto daquelas por onde andei! Não me importava de ficar com dores nas costas!lol!
Jorge madureira
Migas
Obrigada por ter-me trazido de volta um pouco dos 23 anos dessa terra onde nasci e vivi! Vejo com alegria que tem a sensibilidade necessária para perceber que Angola é... uma das sete maravilhas do mundo(esquecendo, claro, certos aspectos tristes que infelizmente existem). Tem as praias mais lindas e variadas que se pode imaginar, tem paisagens fabulosas e um povo (fora de Luanda)muuuiiiiito especial, genuíno, humilde e amigável.Tenho muitas saudades, mas sei que não voltarei...
Bjinhos, e tire proveito de tudo o que Angola tem de positivo e na Europa já se esgotou!!!
maria ana
Viva Maria Ana! Muito gosto tê-la por cá. Eu gosto bastante de receber pessoas que, em alguma época da sua vida, tiveram alguma ligação ao país pois, acho que conseguem compreender-me muito bem... para o bem e para o mal. 23 anos é muito tempo! Quanto à beleza de Angola e à simpatia das pessoas, não há dúvida de que fora de Luanda parece estarmos noutro país. Nem é preciso ir muito longe. Em Cabo Ledo, quando falo com os pescadores de lá, parece que já estamos noutro país. E são só 100kms de distância. São muito amistosos e nada interesseiros. Quer dizer, os miúdos tratam logo de nos querer ajudar lá com os pescadores. Um até já chegou a dizer: este vai ser o meu pula. Ahahah Mas os interesses são outros. Água mineral, um bola para brincarem...
Apareça sempre que quiser! :o)
Bel, já trabalhaste cá, também? :o)
Jorge, bora lá a visitar-me! Que tal? :o) Eu tinha ideia que tinhas estado mais para o sul mas afinal, enganei-me! :o)
Beijos a todos!
Olá Migas,
Adorei a tua reportagem :)
Bjo
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